quinta-feira, março 08, 2007

Dia de ir à praia

Hoje é um dia daqueles que o meu pai sempre definiu como "dia de ir à praia": céu azul, completamente sem nuvens, sol brilhante, um vento leve. A única diferença é que, como aqui é primavera, eu estou debaixo de um frio leve, faz 5ºC.

Desculpe, pai, mas eu não me atrevo a ir na praia na Holanda...

Um comentário:

Joe disse...

Acho que alguém precisa lhe esclarecer e relembrar muitas coisas. Algumas aulinhas de inglês, também, não iriam mal. Eu disse que refleti sobre o que havia feito, e cheguei à conclusão que não tinha motivos para não mais falar com você. Não me disse que esqueci do que aconteceu – Lembrar, eu me lembro perfeitamente.

Em primeiro lugar, por se tratar de uma situação tão delicada, acho que nomes, sobrenomes e detalhes dos fatos poderiam ser poupados. São coisas que interessam aos envolvidos, não a todo mundo que passe por aqui. Infelizmente, você não teve esse tato. Eu realmente lamento.

Algo que você ignora é que meu antigo namoro não estava “morto e enterrado” há tanto tempo assim: o namoro acabou em 17 de maio, e o seu aniversário é em 20 de maio – TRÊS DIAS de diferença, certo? Outra coisa que você parece ter esquecido: o que realmente me chateou foi ter uma ex-namorada que, mal terminado o relacionamento, vai atrás de alguém que eu tinha como um dos meus melhores amigos. Sim, porque passear despreocupada não era algo típico de uma pessoa reclusa como ela. Muito menos ir ao Café Piu-Piu, lugar que ela odiava. Foram movimentos de caso pensado, não se esqueça que estamos falando de uma pessoa com quem eu convivi durante anos. E você, talvez por inocência, compactuou com isso. E essa sua atitude me desagradou profundamente.

O problema foi esse, meu caro: uma punhalada nas costas, uma falta de respeito da parte dela, por alguém que dedicou tanto tempo de sua vida a ela. Comprometi amizades, fiz o que pude e o que não pude para fazê-la feliz, e quando tudo termina, o que acontece? Vamos sair com um amigo dele! Pena que os copos de cerveja tenham anuviado sua perspicácia para isso.

Uma outra coisa para te relembrar: depois do episódio do Café Piu-Piu, nós NÃO voltamos a nos falar. E se há algo que eu me lembro claramente de ter feito, é de NUNCA ter mandado recados. Comentei com o seu irmão, anos depois, que havia me arrependido da minha atitude explosiva. Mas esse comentário foi direcionado exclusivamente a ele; se chegou aos seus ouvidos, não foi por intenção minha.

Quando nos encontramos na casa dos seus pais, eu estava lá contra minha vontade. Apenas estava aguardando o André pegar alguma coisa, e iríamos voltar a sair em instantes. Não queria incomodar ninguém, nem causar uma situação constrangedora, o que acabou acontecendo. Mesmo assim, fui o mais breve possível na minha presença, e o mais educado que o meu humor naquele momento me permitia.

Quanto a me chamar de infantil e mal-educado, por que você não tenta se colocar no meu lugar, na mesma situação? É infantil sentir-se indignado, MAGOADO porque faltaram com o respeito à sua memória? Uma pessoa infantil e mal-educada não tentaria reparar os próprios erros. E acho que qualquer Aprendiz de Samurai comete erros (afinal, é um aprendiz), mas procura melhorar-se sempre, pois este é um dos princípios do Bushido. Buscar incessantemente a perfeição é o que prega o pergaminho do fogo, presente no Go Rin No Sho, escrito por Musashi Sensei. Disso faz parte a humildade para reconhecer os próprios erros, e tentar repará-los. Pena que, por muitas vezes, a soberba impeça a humildade de completar seu curso e concluir sua missão.

Acho que fica claro que, em matéria de artes samuraicas, você não conhece o suficiente para tentar argumentar comigo, ainda que eu esteja longe de dominar o assunto. Portanto, tenha mais respeito, se não a mim, aos seguidores do Kobudo.

Por último no que tange a assuntos periféricos, eu gostaria MUITO de saber o que você chama de “coisas que eu fiz ao seu irmão, à sua cunhada e a tantas outras pessoas”. Até onde me consta, tudo o que eu fiz foi oferecer, à Luciana e ao André, a minha amizade incondicional, e me retirar quando as circunstâncias faziam de mim o elemento ímpar, em respeito à privacidade deles. Do contrário, se houvesse qualquer reclamação a mim da parte deles, tenho certeza de que eles são bastante adultos, e viriam falar comigo diretamente.

Por fim, meu caro, eu havia vindo SIM lhe pedir desculpas, porém mais uma vez lhe faltou perspicácia para perceber isso. Reconheço que errei quando me excedi com você, e vim aqui tentar reparar o que fiz. Mas como você fez questão de frisar, “já não faz mais diferença”. Pois bem, se esta é a tua escolha, então que seja assim! Eu guardo a consciência tranqüila de que fiz a minha parte.

Seja bastante feliz na sua busca, seja ela pelo que for.