terça-feira, abril 10, 2007

Esquecida...

O som é uma coisa muito estranha.

Ao mesmo tempo que ele "preenche" o mundo, e permite que a gente se ligue nas coisas, ele também faz uma falta danada quando falha, ou quando, por qualquer motivo, se apresenta distorcido.

Esse era o meu caso nas últimas 4-5 semanas: eu não escutava nada com o ouvido esquerdo, e dependia totalmente do meu ouvido direito para ter contato com o mundo.

Eu tive ondas de desespero que iam e vinham nas últimas duas semanas. Queria escutar, estava disposto a usar uma furadeira elétrica na minha cabeça para voltar a ter som estéreo no meu mundo.

Foram muitos dias de angústia, muito cuidado, e algumas desilusões. Claro, no final, em menos tempo do que levou para eu ir até o consultório, a junta médica que se reuniu aqui para me tratar descobriu por que eu tinha resistido à primeira intervenção. O problema era a enfermeira, que parecia ter medo de fazer a água sair pela minha outra orelha, e não estava aplicando a força necessária no tratamento.

Bom, uma das médicas, sem qualquer cerimônia, pegou a seringa (que comporta aproximadamente 400ml de água – o equivalente a dois copos cheios) das mãos da enfermeira e aplicou o "tratamento" no meu canal auditivo, com a força necessária, e finalmente o meu ouvido deu à luz uma bola de cêra de ouvido do tamanho de uma bola de bilhar. Ou, pelo menos, foi esta a impressão que eu tive quando senti a "coisa" rolando pelo meu canal auditivo e escutei o "splash" que ela fez ao cair na bacia que se utiliza debaixo da orelha (gentilmente suportada pelo próprio paciente) para conter a enxurrada de água.

Em um nada de tempo, o mundo voltou a tocar em estéreo novamente, e eu voltei para o trabalho, feliz da vida, e estranhando um pouco o barulho do tram, que agora parecia muito alto.

Claro, umas horitas de programação e Rush (em estéreo, novamente, como é bom!) já me afastaram totalmente das sensações inóspitas da falta parcial de audição, e, não fosse por uma vaga lembrança, esta aventura já estaria totalmente esquecida...

2 comentários:

Marina disse...

HAHAHAHAHA
Essa é boa...
A enfermeira tava com medo, então?
Fala sério!
Benvindo ao mundo estéreo, Lu!

André disse...

Mais um que não se envergonha de gritar ao mundo que gosta de Rush! Vai lá no Os Oakfields e posta seu comentário!