quinta-feira, maio 10, 2007

O meio do tratamento...

Ontem de noite foi complicado dormir. A minha perna coçava como nunca, e estava inchada e doendo. Eu precisei de paciência, auto-controle, determinação, uma boa dose de aspirinas e um bom livro para conseguir ferrar no sono. Lamentavelmente, a última vez que eu olhei para o relógio, ele estava dizendo "duas da manhã, você vai se atrasar amanhã...".

Profético, Morfético Relógio. Ou Morfético, Profético Relógio.

Tanto faz.

De fato, eu me atrasei, e, do momento em que cheguei na empresa até a hora em que eu saí para ir ao médico, correram meros 45 minutos. Sem problemas, exceto para mim, que não fiz nada neste meio tempo.

Chegando ao hospital, fui (outra vez) prontamente atendido por um caribenho com um penteado rastafari curto, preso e bem cuidado, sorrindo até quase engolir as orelhas, vestido num uniforme branco, muito simpático, que, primeiro, por hábito, falou comigo em holandês, até o meio da segunda frase, quando eu expliquei que não falava nada de holandês ainda.

Ele se desculpou, se apresentou novamente em inglês, me indicou uma poltrona de procedimento, onde, segundos depois de eu ter me sentado, ele levantou (com motores elétricos).

Aí eu fiquei assustado: o negão sacou uma tesoura do tamanho do mundo e cortou as tiras do gesso como se fossem manteiga, eu nem consegui piscar de tão depressa. Achei que a minha perna ia junto, nem consegui respirar (ou protestar). Mas a sensação ruim durou exatos 5 segundos, e o alívio da pressão da tala de gesso já se fez sentir.

Meu pé está inchado, feio prá burro (como se algum dia ele tivesse sido "bonito"), mas aparentemente inteiro.

Ele me deu um "chá de cadeira" que me pareceu procedural: tira o gesso, antes de mecher mais espera um pouco para saber como a coisa vai, e me apresentou para o ortopedista-chefe, que me examinou o pé, torceu, virou, mexeu, e pediu para eu experimentar.

"Andar?", Eu perguntei, meio estranho à idéia que o meu pé direito foi projetado exatamente com esta finalidade. Mas eu tentei, e, em alguns segundos, descobri que ainda não estou 100% recuperado.

Ele me disse que é normal, e que a recuperação é lenta mesmo. "Quebrado, a gente emenda em questão de 30-40 dias. Mas quando é torção, a pesar de ser mais confortável, leva bastante mais tempo para ficar completamente bom", Me explicou o ortopedista-chefe, em inglês, enquanto gesticulva para uma enfermeira me fazer uma tala de adesivo para eu ficar os próximos 15 dias.

Agora, o tratamento mudou: a recomendação médica é "andar sem forçar". Vamos esperar pelos 15 dias, vou viajar sossegado para Portugal, e, quando eu voltar, vou aparecer por lá novamente para ver o que acontece.

Aqui, o Mr. John, o escocês que vai ser nosso novo gestor, já me indicou o médico desportivo que ele usa, quando tem problemas como este (parece que ele tem muitas torções no histórico, por que cisma em jogar futebol com os amigos no final de semana). "Quatro sessões de luz infra-vermelha, e duas sessões de massagem no ortopedista esportivo e você vai se sentir novo em folha".

Eu agradeci, e vou aguardar o progresso. Dependendo de como a coisa funcionar nos próximos dias, eu vejo o que eu faço. Por agora, pelo menos, estou confortável e vou conseguir me virar.

É isso. Agora, eu vou tentar ir para casa. Finalmente, a Holanda está fazendo jus à fama de clima-ruim e mandando ver uma chuva acompanhada de vento deliciosamente convidativa para dormir...

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