sexta-feira, maio 04, 2007

Pé-de-Pano

Bom, foi assim: cheguei no V.U. Medisch Center, aqui em Amsterdam, de táxi; levou 5 minutos da porta da empresa até a porta da emergência, e fui atendido em exatamente 2 minutos, sem tempo nem para sentar.

A médica fez o exame-padrão, ficou impressionada com o meu bom humor (eu tinha de fazer piadas negras ou ia matar um a qualquer momento), pediu raios-x "until I can see him glowing in the dark" para um enfermeiro, que me levou de cadeira de rodas até a sala de raios-x, tirou 8 chapas do meu tornozelo (eu estava achando que ela tinha feito piada, mas parece que ela queria mesmo que eu brilhasse no escuro), e me trouxe de volta em segurança, na cadeira de rodas.

Poucos minutos depois, já com as chapas, ela apareceu outra vez e disse que o osso do meu tornozelo sofreu "um arranhão", mas, a julgar pelo estado do meu pé (que parecia uma bola de futebol de salão, tamanho oficial) e pela localização da dor que eu estava sentido, eu deveria ter também alguns músculos e tendões distendidos. Ela me disse que ia mandar imobilizar a minha perna, e que eu deveria voltar em 7 dias para remover a imobilização e fazer exames. Eu agradeci, e ela ficou deliciada por isso. Eu imaginei que não devem haver muitos pacientes que agradecem pelo que o médico faz por eles, aqui...

Seguiu-se um chá-de-maca de 2:30 horas, durante as quais alguns enfermeiros vieram até onde eu estava, olharam para mim, e voltavam para trás.

A médica que tinha me atendido voltou a aparecer, e ficou supresa de me ver ali. Ela me perguntou se alguém tinha vindo me ver e enfaixado a minha perna, e eu respondi "não, mas acho que a pessoa da sala ao lado estava reclamando que 'não tem nada errado com meu tornozelo, é o meu estômago que dói'". Ela riu gostoso, e me pediu mais um minuto, que iria descobrir onde estava o ortopedista que jé deveria ter imobilizado meu tornozelo.

A ortopedista precisou de um empurrãozinho para conseguir fazer o trabalho dela, e eu disse "não tenha dó de mim, ou este suplício nunca vai terminar". Ela caprichou, engessou meu pé direitinho, me ajudou a ficar de pé de novo, e me ensinou a usar as muletas que o hospital me alugou sem me machucar mais do que eu já estava. Foi muito simpática comigo e estava até de bom humor.

Eu saí do hospital com uma ótima impressão, acreditando que a iniciativa privada é uma ótima solução para o problema da "coisa pública", já que aqui todos os hospitais são privados e aceitam os seguros de saúde privados. Mesmo os seguros pagos pelo governo, para quem está abaixo da chamada "linha social" são privados.

Voltar para casa foi um problema, já que de muletas tudo neste país fica ainda mais longe e complicado, mas eu consegui gerenciar a coisa e me dar bem. Tomei banho, fiz janta bancando o saci-pererê, comi, e fui dormir, que já estava muito tarde.

Nenhum comentário: