quarta-feira, maio 16, 2007

Parlez-vous français?


A viagem para Portugal correu numa boa. Eu fui para o aeroporto (10 minutos de trem, uma estação apenas), fiz check-in (as meninas da KLM são sempre impecáveis no atendimento e a gente se sente sempre voando em primeira classe, mesmo que tenha comprado passagens para a asa do avião), despachei a minha bagagem com uma menina para quem o vestido azul-royal do uniforme da KLM combinava per-fei-ta-men-te com seus olhos (realmente impressionante), fiz compras de última hora, lanchei, me atrasei, corri e embarquei.

Ler a Wired no caminho foi divertido, eles estão falando muito sobre doenças viróticas e sobre os cientistas que as perseguem; sobre medicamentos produzidos por plantas, animais e fungos geneticamente modificados; sobre algumas das pessoas (apenas estadounidenses, lamentavelmente) que inovaram mais no último ano, e até um pouco sobre ética nos negócios, especificamente se é ou não considerado ético reduzir sua quota de emissão de carbono enquanto, por outro lado, investe em empresas que vão ganhar com a ruina do meio ambiente e com as catástrofes globais associadas. Nem parece que eu estava lendo uma das mais conceituadas revistas de tecnologia do planeta. Ou estava, e o meu conceito de tecnologia é que esté obsoleto...

O jantar (ou ceia?) foi o frugal da KLM. Quem conhece, sabe do que eu estou falando. Quem não conhece não precisa se preocupar. Vocês não estão perdendo nada de relevante.

Desembarcar em Lisboa é sempre um porre: a desorganização e o descompasso deixa desorientada a tripulação, os passageiros e até se consegue captar momentos de puro divertimento, como a menina da KLM perdendo totalmente a compostura e dizendo (bem alto) no microfone (ênfase dela): "...e por favor não soltem os cintos de segurança até que as luzes se acendam", num tom de "meus-deuses-eles-vão-fazer-de-novo..."

Reclamar a mala sempre me lembra o jogo de bingo que os antigos gostam de jogar (talvez por causa da possibilidade de dormitar na cadeira entre um "lance" e outro...): a gente espera, espera, espera, e as malas não aparecem.

Quando a luz de "útima mala" acendeu, eu descobri que minha festa de aniversário em território Português seria uma Festa do Cabide[1][2]: a minha mala não veio no vôo que eu estava.

Reclamar na GroundForce (a empresa de quem todas as companias aéreas parecem ser obrigadas a comprar serviços de suporte em terra) foi fácil. O processo de reclamação de bagagem é simples. Dá a ilusão de que eles perdem mais bagagens do que a gente gostaria, mas menos do que seria possível.

Reclamando, descobri que a minha bagagem foi despachada para Tolouse, França, num vôo da Air France, e que, naquele momento, deveria estar rodando abandonada numa esteira em algum lugar do aeroporto de lá... Parlez-vous français?

3 comentários:

Igor disse...

Que sorte heim?! Parece que quando tem Portugal no meio, as energias se abalam e tudo começa a dar errado :-)

Boas 'férias' aí e dá um abraço em todos!

André disse...

HAHAHAHA!! E o Ground Force vai te levar a mala? Boa sorte...

Lembro que, voltando de Lisboa, sentou-se um senhor espanhol ao meu lado. Quando a aeromoça perguntou se ele preferia a pasta ou a carne, ele respondeu "tanto faz, nenhuma tem gosto de nada mesmo". Meu herói!

Nélio disse...

Por mais que tente, não consigo compreender a animosidade com que vocês tratam o meu país. Por muita coisa de errado que tenhamos por cá, acredito que Portugal tem muita coisa boa para oferecer a quem decide viver por cá, e que os aspectos positivos ultrapassam largamente os aspectos negativos. Claro que há coisas muito erradas aqui, há-las em todo o lado, como certamente já deves ter notado na Holanda, e como certamente o Igor irá perceber quando for para lá. Não fingimos que temos o melhor país do mundo, aliás... somos os primeiros a criticá-lo quando achamos que algo está mal. Provávelmente acham que as coisas no norte da europa são bem mais lineares e educadas, mas cedo irão sentir falta da nossa muito caracteristica forma latina de ver a vida. Daqui a um ou dois anos, quando estiverem fartos da rigidêz cultural e do isolamento que isso implica, falaremos novamente. Entretanto duvido muito que algúem na Holanda faça algo com ir convosco á repartição de financas mais próxima para vos ajudar a obter o btw nummer ou ajudar-vos a comprar um Geiser (para quem não gosta de tomar banho de água fria).
É muito feio cuspir-se no prato onde se comeu, e é uma falta de respeito para com os vossos amigos portuguêses que vos receberam de braços abertos a forma como constantemente agem como se nós vivessemos numa lixeira.