domingo, novembro 11, 2007

Crítica ao Filme Tropa de Elite

Alguns amigos me recomendaram, até com certo destaque, que eu assistisse ao filme Tropa de Elite. Eu finalmente peguei o filme e assisti, sem grandes expectativas.

Fiquei chocado com a superficialidade.

O filme trata da história do Capitão Nascimento, um capitão da polícia militar, Batalhão de Operações Especiais. O Cap. Nascimento passa por um momento difícil em sua vida pessoal, e tenta encontrar um substituto "à sua altura" entre os candidatos disponíveis.

O que mais chama a atenção no filme é a falta de visão do todo, a ausência de muitas peças importantes no jogo de xadrez que é a cena das favelas do Rio de Janeiro. Claramente, a intenção não é nem de perto similar à do filme Cidade de Deus, que retrata as origens do problema sócio-ético-político-econômico que a gente popularmente conhece como "Favela". O filme "Tropa de Elite" retrata apenas a polícia, os bandidos e os "inocentes" (ninguém no filme passa por ou é tratado como inocente, clara violação dos Direitos Universais do Homem e da Mulher, coisa que polícia nenhuma deveria ou poderia fazer).

Curiosamente, as Favelas esconde muito mais do que bandidos, tráfico de drogas e gente humilde e pobre. O filme não cita nem menciona outros fatores comuns, conhecidos, que influenciam a vida nas favelas. Para citar um exemplo, não existe menção da influência dos traficantes sobre a polícia ou sobre o sistema judiciário [1][2][3]. Também ninguém menciona que destino se dá a todo o dinheiro arrecadado pelos policiais corruptos (como o Coronél Otávio, que almoça camarão com um misterioso cavalheiro não é claramente identificado no filme).

A gente tem mesmo de ser muito besta para acreditar que o crime organizado pára nos limites da favela. E ainda mais besta para acreditar que o tráfico de drogas é culpa dos "bacaninhas de Copacabana", e que a única responsável pela continuidade da miséria é a classe média. O problema é maior, mais profundo e merece ser retratado com fidelidade. A gente tem de (re)lembrar que a corrupção, a falta de ética, a falta de coragem, a falta de vergonha na cara de todos os brasileiros são os maiores propulsores do Crime Organizado, do Tráfico de Drogas, da Corrupção. E tudo isso atrasa o desenvolvimento do país [4].

Mas já dizia o meu velho pai: "o melhor truque do diabo é fazer a gente acreditar que ele não existe".

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