domingo, dezembro 14, 2008

Por que será que a gente é assim?

Eu ando lendo sobre as revoltas na Grécia. Não consigo evitar a comparação com o que a gente tem no Brasil. Tudo o que eu digo aqui está baseado no artigo da BBC News que eu li.

Os gregos são na sua maior parte famílias de gente simples, que teve um passado humilde. São gente que sabe que o futuro dos filhos está na educação, e que sacrifica o presente em benefício do futuro da prole. Os filhos dos gregos que estão nas universidades ou que saíram delas há pouco sõa gente jovem, bem educada, e que estudou muito e se dedicou.

A Grécia ainda funciona num esquema feudal, onde cargos e empregos são atribuídos por indicação, pelo Fakellaki (do grego φακελάκι, literalmente "envelopinho").

Por causa disso, muitos graduados não conseguem encontrar um emprego à altura das suas qualificações. As pessoas dependem de apadrinhamento para progredir. É mais fácil subornar um oficial e conseguir um cargo melhor (seja no governo ou na iniciativa privada) é mais fácil do que tomar o caminho honesto.

"A Grécia é uma terra de preços europeus e salários africanos", continua o artigo. Eles explicam que os jovens com qualificações e sem padrinhos são obrigados a segurar o touro pelo chifre, trabalhar em 2 ou 3 empregos e ainda assim não conseguem esticar o dinheiro até o final do mês.

O Primeiro Ministro Grego atual prometeu tentar resolver o problema, quando assumiu. Ele foi varrido do mapa por uma quantidade de escândalos e corrupção em seu governo que o paralisaram e impediram de concretizar seus objetivos até o presente momento.

O artigo termina dizendo que as alternativas políticas dos gregos não são muito animadoras, já que os políticos que não são corruptos conhecidos são fracos e temerários demais para implementar as medidas de reestruturação necessárias para que a juventude grega floresça.

Eu observo duas diferenças importantes entre o Brasil e a Grécia, neste aspecto.

A primeira diferença é e que o povo parece ser menos manso na Grécia: eles saem às ruas e protestam com mais facilidade e sem a necessidade de alguém fazer campanha nas ruas e na mídia para que isso aconteça.

A segunda diferença é intrigante. Eu nunca vi um artigo da imprensa estrangeira falando tão claramente sobre a corrupção e a falta de perspectivas no Brasil, nestes anos todos em que eu leio notícias internacionais em língua inglesa.

Por que será que a gente é assim?

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