sexta-feira, janeiro 02, 2009

Freud Museum e Hampstead

Decidimos abortar o passeio ao castelo de Warwick por causa da temperatura. Ao invés disso, colocamos o sono em dia e fomos ver o Freud Museum, que estava fechado da última vez que passamos por lá.

Foi interessante aprender sobre a vida pessoal do Siggy, sobre a doença que o levou a pedir eutanásia (e eu não esperava isso dele), sobre o vício de fumar charutos e cuspir nas escadas da sua casa em Londres, sobre a sua mania de colecionar objetos de grande valor arqueológico, especialmente peças egípcias, gregas e romanas clássicas, sobre a sua obra e sobre as suas paixões por caminhadas.

Também apareceram umas perguntas intrigantes, como a relação entre Sigmund Freud (o pai da psicanálise), Franz Kafka (o criador de personagens perturbados), e Otto Gross (o avô da contra-cultura).

Mais tarde, passeamos por Hampstead, onde nos encontramos com o Joel e a Lauren. Foi muito bom rever o Joel. Almoçamos, conversamos sobre a vida, sobre Londres, sobre planos e projetos para 2009, sobre a vida.

Depois de fazer umas comprinhas básicas, nos despedimos e voltamos para casa. Decidimos comer pizza de noite, e escolhemos ao acaso uma pizzaria em Upper Street, mais ou menos perto do hotel.

No caminho, quase chegando, nos deparamos com uma cena no mínimo inusitada: três pessoas atravessavam Upper Street da nossa calçada para a calçada oposta, quando um carro passou depressa e quase atropelou um deles. Acho que alguma coisa mais sutil aconteceu, por que o carro parou no meio da rua, e saiu de dentro dele uma mulher negra, de uns 25-28 anos de idade, com uma garrafa de vidro na mão, gritando a plenos pulmões "você está dormindo?" para um dos rapazes que estava atravessando a rua. O rapaz a ignorou, lhe deu as costas e continuou andando como se não fosse com ele. A mulher atirou a garrafa que ela tinha na mão no chão, espatifando-a, bem perto dos pés do rapaz, que se irrita, vira de frente para ela, avança e diz alguma coisa que eu não consegui entender. Enquanto isso, do outro lado da calçada, observamos que dois ônibus double decker estão parados atrás do carro que a mulher abandonara na rua, aguardando pacientemente a libreação da via, provavelmente pensando que se trata de um acidenten, não de uma briga. A mulher, depois de escutar o ataque verbal do sujeito com quem ela estava gritando, volta para o carro às pressas, manobra rapidamente para a calçada, e volta a sair, desta vez armada com um balisong (um canivete "borboleta"), e ameaça o sujeito mais uma vez. Desta vez, talvez arrastado pelos amigos, o sujeito recua, e a mulher volta para o carro, onde a sua acompanhante já a esperava do lado de fora, manifestando claros sinais de aflição e impotência para ajudar a controlar e contornar a situação. A cena se desfaz tão depressa quanto se formou, e a gente comentou isso sobre o jantar por umas duas horas. Foi a maior mostra de selvageria que eu vi em dois anos de Europa, e me impressionou mais do que ser assaltado e ter uma pistola apontada para a minha cabeça em São Paulo.

2 comentários:

Camila disse...

Isso me assustou. Agora estou com medo de qualquer Londrino que fale alto ao meu lado. Sério mesmo: essa mulher deve ser membra do PCC Londrino, só pode ser essa a explicação. Lamentável.

marmita disse...

CARACA!!!!
Me sentí, com sua narração, dentro de um daqueles romances policiais tipo T.S. Eliott, ou menos, Conan Doyle, talvez...!!