domingo, março 15, 2009

Igreja Católica em Crescente Descrédito

Eu tenho acompanhado o barulhão que o arcebispo dom José Cardoso Sobrinho começou, quando anunciou "excomunhão automática" para os médicos que tiveram parte no caso da menina submetida a um aborto a semana passada.[1] [2][3]

A minha primeira reação foi de repulsa. Como é possível que um arcebispo (presumivelmente um bispo mais velho, mais experiente, mais sábio) se apresse em dizer qualquer coisa, em qualquer tipo de caso?

Depois de ler as notícias sobre a intervenção da CNBB e do Vaticano, voltei a acreditar que a Igreja Católica ainda está de posse da sua sanidade moral, e está novamente defendendo seus princípios de acordo com o que S. Paulo (ou era S. Pedro?) recomendou: não dizer ou fazer nada que escandalize o próximo.

Infelizmente, mais uma vez fica a marca corporativista que a Igreja Católica tem colocado nos últimos 10 anos, até onde eu me lembro (talvez desde que eu comecei a prestar atenção): o arcebispo, ao invés de ser publicamente repreendido pela precipitação, tanto da parte da CNBB como da parte do Vaticano, foi protegido, sem grandes menções ou reservas.

Eu vejo prudência e retidão na atitude da Igreja Católica para com o caso, agora. O assunto é complicado demais para que se possa tomar uma posição radical.

Por outro lado, a atitude da Igreja Católica em não repreender publicamente o arcebispo pela sua precipitação é estratégicamente difícil: ela não se compara em magnitude à falta por omissão cometida nos últimos incidentes de abuso sexual de menores por padres, mas vai na mesma direção.

Na minha humilde opinião quem já foi católico mais fervoroso, a Igreja Católica peca nos detalhes, quando não pune publicamente as faltas publicas cometidas pelos seus representantes.

Eu penso que a repreensão pública dos membros responsáveis por declarações polêmicas em flagrante desacordo com os princípios ditados pelo Vaticano, e o reconhecimento das faltas cometidas pelos membros da Igreja perante a Justiça Secular (e sua correspondente punição) no caso de crimes condenáveis pela Sociedade Civil é uma forma importante de preservar a seriedade e a credibilidade da Instituição (que é divina na sua natureza, mas que está sujeita às Leis dos Homens, como o próprio Cristo esteve).

Um comentário:

marmita disse...

Arcebispo é um bispo que toma conta (pastoreia)uma Arquidiocese. Ou seja, tem um rebanho maior.
Todo bispo (inclusive um arcebispo) é representante da Igreja (isto quer dizer que êle é capacitado para santificar, reger e ensinar), pois com o bispo de Roma (o papa)formam o colegiado que dirige a Igreja.
Muitos bispos e ercebispos enviaram cartas abertas para d. José Cardoso. Aquí, paradoxalmente, trataram-no com caridade (não deveria ser diferente o tratamento dele para com aquela família) e respeito.
Mas a Igreja é isso mesmo: Santa e Pecadora!
Vamos esperar que ele (d. José), reconheça que se precipitou.
No mais, como voce viu, a CNBB já tomou a frente da situação, tranquilizando os católicos brasileiros e os do mundo inteiro.
Veja o site do Observatório Romano, para saber mais das cartas dos Arcebispos de cidades francesas, italianas, etc.
Antes de mais nada é uma questão humana, ética.